NEYDE LANTYER “Quem inventou a fome são os que comem” XIX Bienal de Cerveira – Portugal

 

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DA POP ARTE ÀS TRANS-VANGUARDAS, APROPRIAÇÕES DA ARTE POPULAR

Foi inaugurada no dia 15 de julho último a XIX Bienal Internacional de Arte de Cerveira, no norte de Portugal. Criada em 1978, a Bienal de Cerveira afirmou-se ao longo dos anos em como um dos eventos mais marcantes das artes plásticas em Portugal tendo se tornado, devido à sua significativa dimensão internacional, importante referência para a cultura artística daquele país.

A edição atual, que permanece aberta até 16 de setembro de 2017, sob o tema Da Pop Arte às Trans-Vanguardas – Apropriações da Arte Popular”, conta com cerca de 500 participantes de 35 países e mais de 600 obras, propondo uma reflexão sobre a revolução tecnológica como resultado do acúmulo de saber pelas populações e suas identidades através dos séculos. Ao longo dos anos, vários artistas brasileiros participaram do evento.

 

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TRÊS REFEIÇÕES POR DIA

A artista visual brasileira Neyde Lantyer, nascida na Bahia e radicada na Holanda, participa da XIX Bienal de Cerveira com a obra “Quem inventou a fome são os que comem”, uma reflexão sobre o trágico momento político por que passa o Brasil.

As palavras de NEYDE LANTYER sobre o seu trabalho: “Pronunciada nos anos 1960 pela escritora negra Carolina de Jesus – uma mulher que vivia em situação de extrema pobreza quando começou a escrever – a frase título da obra espelha uma outra frase, a famosa declaração do ex-presidente Lula da Silva sobre seu sonho de “que todos os brasileiros pudessem comer 3 refeições por dia”.

“Em face à violenta desigualdade social brasileira, os governos de esquerda garantiram, nos últimos 13 anos, que as populações vulneráveis pudessem realizar o sonho de Lula. Porem, os que comem resolveram reinventar a fome por meio de um golpe de estado que depôs no ano passado, a Presidenta Dilma Rousseff, democraticamente reeleita em 2014, desmontando as políticas sociais para os pobres e os direitos trabalhistas e previdenciários da classe trabalhadora. A condenação sem provas do ex-presidente Lula da Silva (apenas 3 dias antes da inauguração da bienal) é parte de um projeto anacrônico, concentrador e cruel, armado pelo poder econômico e forças retrogradas de herança colonial-escravagista, cujo objetivo é empurrar a população pobre, negra, indígena e afins para a pobreza, em um lugar de permanente subordinação.

As naturezas-mortas criadas por Albert Eckhout no século 17, durante a invasão holandesa no Nordeste do Brasil, permanecem sensualmente modernas e desafiadoras: a fartura dos frutos da terra representa o sonho de Lula e o paradoxo do Brasil.

Meu trabalho é uma ode à quimera de um Brasil soberano, que Lula representou no mundo em anos recentes. ”

 

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Ficha Técnica:

Quem inventou a fome são os que comem”

Neyde Lantyer, 2017 (after Carolina de Jesus e Albert Eckhout). Instalação com fotografia e texto.

www.neydelantyer.com

www.bienaldecerveira.pt