Entrevista DIANA BLOK “Eu te desafio a me amar” – Julia Abreu de Souza e Margô Dalla-Schutte

 

04.RihyanyDBLOK-nRihyany © Diana Blok - “Eu te desafio a me amar”

“TEMOS QUE NOS DAR CONTA DE QUE TODOS, O POBRE, O MENDIGO, AS PROSTITUTAS, OS TRANSEXUAIS, OS GAYS, OS MILIONÁRIOS, EU, VOCÊ, ESTAMOS CONECTADOS”

_Entrevista por Júlia Abreu de Souza e Margô Dalla-Schutte

A fotógrafa holandesa-uruguaia Diana Blok conectou Turquia e Brasil através de uma pesquisa sobre o universo de travestis, transexuais, gays e lésbicas. Na Turquia realizou o primeiro projeto, See Throught Us, em forma de exposição e livro. Anos mais tarde, desenvolveu o mesmo trabalho no Brasil, sob o título Eu te desafio a me amar. Em seguida, também no Brasil, Diana realizou um ensaio fotográfico em cross-dressing, que invadiu a praia de Copacabana no Rio de Janeiro, em grandes caixas de luz, exibindo artistas conhecidos do grande público de televisão e cinema, vestidos como o sexo oposto. A artista continua produzindo no Brasil e está prestes a apresentar o documentário Monólogos de Gênero*.

_DSC3377Glaubert y Edu-nGlaubert e Edu © Diana Blok – “Eu te desafio a me amar” 

Diana Blok – A primeira vez que coloquei o pé no Brasil eu tinha 4 anos e foi na Bahia de Todos os Santos, em Salvador. Viajamos de barco do Uruguai até a Colômbia e, nesse trajeto, aconteceu uma parada de vários dias no Brasil. Tenho várias memórias, diria, surrealistas, desta primeira visita. Depois de alguns anos voltei várias vezes à Bahia. Em 2002, tive o privilégio de fazer uma fantástica residência artística na Fundação Sacatar, na Ilha de Itaparica. Me enamorei e fiquei fascinada com tudo que vi e vivi com as pessoas. Dessa forma, as memórias “surrrealistas” que tinha, se tornaram realistas.

Nasci no Uruguay. Meu pai, holandês, judeu, foi um feminista mas não era consciente disso; minha mãe, argentina, católica, de descendência espanhola-italiana, era uma mulher de mente aberta, mas quando o assunto era sobre suas filhas, era conservadora. Ele era diplomata e por isso, dos 4 aos 12 anos, nos anos 60, 70,  morei em alguns países em guerra civil, como a Colômbia e a Guatemala.  A violência  estava sempre presente, havia sequestros, as pessoas  desapareciam, as diferenças sociais eram enormes. Era muito complicado mas, apesar de tudo, eu ainda tenho um profundo amor tanto pela Colômbia quanto pela Guatemala.

05.Ricardo.DBLOK-nRicardo © Diana Blok – “Eu te desafio a me amar” 

Julia e Margô – Isso foi marcante na sua vida.

DB – Claro! Na Guatemala  havia mortes, toques de recolher, assassinatos a sangue frio. Tinha um lado meio de aventura, às vezes não podíamos voltar para casa e dormíamos em casas das amigas, mas sair à noite, ir à discotecas, não dava.. Sabíamos de sequestros e assassinatos de embaixadores como o americano, o alemão, amigos de meus pais…Isso tudo me marcou.

J&M- E a mudança  para a  Holanda?

DB – Uma diferença enorme!  Sair sozinha aos 23 anos, de  bicicleta, chegar em casa de madrugada… A  liberdade que senti foi imensa!  Será possível, eu me perguntava, ter a vida tão segura deste jeito? Um contraste muito grande. Aqui eu podia me expressar como fotógrafa, me encontrava com outros artistas, gente que pensava como eu. Parecia que saía da sombra e entrava na luz… Meu ser mais rebelde veio à tona…

_DSC4502 Tabata Rios -nTabata Rios © Diana Blok – “Eu te desafio a me amar”

J&M – E foi assim que começou a fotografar?

DB – Estava estudando História de Arte, queria me expressar como artista, mas ainda não tinha encontrado a minha fórmula, ficava chateada com o estudo, não falava bem a língua… Um dia, estava desenhando à minha moda e pensei: acho melhor sair da universidade para aprender a desenhar, mas vai levar mais 5 anos até eu ser capaz de fazer isso. A fotografia é imediata, posso construir e transferir uma ideia partindo da imaginação. Então comecei a observar os fotógrafos, estudar sobre eles, fui assistente de alguns muito conhecidos e aprendi a técnica. O conteúdo de meu trabalho era uma busca minha, independente deles. Foi uma decisão definitiva, profunda e rápida. Não sou uma acadêmica, sou autodidata.

J&M – Você tem muitos autoretratos, uma forma de se conhecer melhor? A foto em que está de bigodes, vestida com um terno com uma mulher nua ao lado, era uma provocação?

DB – Não, foi uma forma de autoconhecimento. Quando  se é jovem, a grande questão filosófica é descobrir quem você é. Segui carreira sozinha. Hoje sou outra pessoa. A foto de bigodes era mais uma forma de investigar, de explorar… era um diálogo comigo mesma, sobre quem sou eu, e foi realizado com outra pessoa para sair do meu mundinho, era uma forma de sair dos padrôes de gênero. As minhas fotografias eram feitas com pessoas que estavam bem pertinho de mim. Eu desenvolvia minhas próprias ideias e conceitos, não gostava de trabalhar com fotos encomendadas.

_DSC4346 Camila espejo mano-nCamila / espelho © Diana Blok - “Eu te desafio a me amar”

J&M – Como chegou ao tema da transexualidade?

DB – Foi um processo que foi se desenvolvendo durante a minha carreira. Conceitos acumulados, retratos antigos, escolha da minha própria orientação sexual… A busca pela diversidade sexual e de gênero sempre foi parte do meu trabalho e eu comecei a pesquisar pessoas que tinham outras orientações sexuais: transexuais, gays, homens, mulheres, travestis, tudo que se desviava da fórmula heterossexual “normal”. Eu queria saber como era a vida dessas pessoas em outras partes do mundo. Meu primeiro encontro profundo e significativo com o mundo dos transexuais e travestis foi na Turquia. Em 2007 discutia-se a inclusão daquele país na União Europeia e eu li um artigo que dizia que lá havia muitos gays, shows de travestis, etc. O artigo comparava a vida noturna de Istambul à de Berlim e Nova York. Fiquei curiosa, recortei e guardei…

_DSC6649NeyMNey Matogrosso © Diana Blok – “Eu te desafio a me amar”

Depois soube de uma fundação holandesa para as artes que dava subsídios para artistas criarem projetos com propostas “diferentes” e fiquei interessada pelo desafio. A seleção foi feita através de um exame oral, tínhamos 20 minutos para mostrar o material, expor o projeto, as imagens, etc… Os jurados eram oito pessoas importantes no campo das artes, jornalismo e política. Tínhamos um mês para nos candidatar e preparar a proposta! Eu peguei aquele recorte de jornal e me lembrei de uma fala de Marina Abramovic (artista Sérvia que trabalha com performance), quando lhe contei que tinha muitas ideias. Ela falou: eu sei quando tenho que realizar uma ideia, é quando tenho medo dela e a minha pele fica arrepiada. Eu expus meu projeto e fui aprovada por unanimidade. Na Turquia tive o primeiro confronto direto com a vida de transexuais e travestis, lá aprendi que uma travesti é uma pessoa que tem sexo masculino mas que tem também peitos e aparência de mulher, como um hermafrodita. Eu sempre pensei que uma travesti era um homem que se vestia de mulher.

_DSC3903morena en casa Luana-Edit-nMorena © Diana Blok – “Eu te desafio a me amar”

J&M – Então, em 2008 você foi para a Turquia.

DB – Sim,  eu dava aulas na Academia Real de Artes Visuais em Haia e tinha uma estudante turca que me acompanhou, como assistente para o projeto, o que facilitou porque ela falava turco e já tinha alguns contatos com uma pequena organização LGBT em Ancara, onde também contactamos alguns outros órgãos que apoiavam o movimento. Fizemos uma reunião naquela cidade e apareceram vários tipos de pessoas. Gays, lésbicas, transexuais, homens, mulheres, gente corajosa vivendo em um país machista onde havia muita repressão, e alí foi o começo. O projeto na Turquia foi um sucesso mas foi difícil! A primeira etapa aconteceu em Ancara e vários anos depois, realizei tambem em Istambul. Fazer é uma coisa, mostrar é outra. Tive que passar pelo crivo de muitas comissões, ninguém queria uma exposição sobre o tema, também mostrei na Holanda e em outros lugares, publiquei um livro que foi muito apreciado, cujo nome é “See Through Us”.

02.Luana Mirror.DBLOK-nLuana © Diana Blok  - “Eu te desafio a me amar”

J&M – E aí veio o Brasil..

DB – Em 2010, conheci Nayse Lopez diretora do “Panorama de Dança”, um festival internacional baseado no Rio de Janeiro. Eu a conheci em Amsterdã e ao ver o livro da Turquia, ela me convidou para o festival no Rio onde eles têm um escritório na Lapa, lugar onde circulam muitas prostitutas e travestis. Inspirada pelo meu livro da Turquia, ela sonhou com um projeto  onde o mundo daquelas pessoas e o nosso fosse mais transparente e integrado, e aconteceu de algumas dessas pessoas participarem do festival. Foi um encontro genial e único com esse mundo tão complexo e escondido.

J&M – Abordava as pessoas na rua?

DB – No Rio, precisava de um assistente que conhecesse o mundo das travestis. Saía  às ruas com o livro da Turquia, mostrava o tipo de trabalho que gostaria de fazer, mas precisava de alguém para me acompanhar, então um amigo uruguaio me apresentou ao João Do Corujão, professor universitário de literatura, ótimo! Ele me ajudou muito, me apresentou a um amigo chamado Rollo, um carioca que conhecia muitas pessoas e virou meu assistente, compartilhando a curiosidade e desejo de saber mais sobre esse mundo. Aí tudo mudou.

11.DominiqueDBLOK-nDominique © Diana Blok – “Eu te desafio a me amar”

J&M – Foi a sua introdução ao mundo das travestis cariocas.

DB – Sim, mas Rollo Roquenrolo não era travesti, conhecia poucas, falávamos diretamente sobre o projeto nas ruas da Lapa e  uma coisa levava a outra. Conhecemos um porteiro que sabia de um prédio onde moravam travestis, cerca de vinte pessoas, em frente à casa da Luana Muniz, uma travesti famoso do Rio.

J&M – Uma forma muito direta…

DB – Sim, muito orgânica e muito direta e assim foi-se formando o grupo. No festival “Panorama”, com vários artistas internacionais, eu fazia parte de um projeto chamado “Composições Políticas”, dedicado ao cruzamento entre arte e política.

_DSC4528_Tabata_meninoTabata / menino © Diana Blok  - “Eu te desafio a me amar”

J&M – Em algum momento se sentiu ameaçada?

DB – Na Turquia me senti um pouco insegura no início, por causa da língua e porque a polícia era muito virulenta. A manifestação de Gay Pride não tinha nem 1000 pessoas na rua e a policia não deixava que eles desfilassem. Eu fiquei me sentindo um sanduiche entre as travestis e a polícia turca,  mas me senti protegia por elas.

No Rio, eu carregava sempre as minhas câmeras. Os táxis nem sempre queriam me deixar na porta da casa onde eu morava, em Santa Teresa, muitas vezes ia sozinha, ou com um assistente. Com ou sem equipe, o fotógrafo sempre corre perigo, mas em Istambul não existe o grau de violência do Rio de Janeiro.

_DSC4192_ana carolina e mae-nAna Carolina c/ sua mãe © Diana Blok  - “Eu te desafio a me amar”

J&M – A partir daí surgiu outro projeto…

DB – Em 2013 eu estava em Brasília para falar sobre o projeto “Adventures em Cross-casting” com a Embaixada da Holanda e Cena Contemporânea, e carregava comigo o livro sobre a Turquia. Uma pessoa da seção cultural da embaixada gostou do livro e falou que o projeto era importante por causa da crescente violência contra LGBTs no Brasil. Na ocasião, eu estava acompanhada de Iara Pietricovsky do Instituto INESC (Instituto de Estudos Socioeconômicos). Assim, começamos o projeto de fotografia e vídeo “Eu te desafio a me amar” e a exposição no Museu Nacional de Brasília que está atualmente em Amsterdã. Em Brasília, eu também tive muito apoio. Precisava de contatos com produtoras e instituições sociais e conheci uma mulher de coração grande, Ana Carolina da Silva. Ela faz um trabalho social importante, com pouca verba e muita convicção. Abriu as portas para mim, participou do projeto, está no filme… Uma pessoa leva a outra.

_DSC3046tatuage MarceloMarcelo / tatuagem © Diana Blok  - “Eu te desafio a me amar”

J&M – E o projeto cross-casting com artistas brasileiros, como aconteceu?

DB – Fiz com artistas conhecidos, entre eles Camila Pitanga, Mateus Nachtergaele, Enrique Diaz, Bárbara Paz e Iara Pietricovsky, que também é atriz, transformando-os em personagens escolhidas por eles mesmos, tais como Luz Del Fuego, Fernando Pessoa, Andy Warhol e Maria Antonieta, entre outros. O embaixador holandês na época, Kees Rade, casado, com filhos, pediu para ser fotografado como Maria da Penha (a brasileira que deu nome à famosa lei que pune a violência contra as mulheres), mas ele era um homem altíssimo, branquíssimo, de olhos azuis, ficou difícil fazer o cross-dressing dele como uma mulher brasileira e então escolhi retratá-lo como Virginia Wolf e o resultado ficou ótimo!

_DSC3054marcelo-nMarcelo © Diana Blok ; Jean Wyllys © Diana Blok  - “Eu te desafio a me amar”

J&M – Novas ideias?

DB – Do cross-casting nasceu “Monólogos de gênero”, novamente com atores e atrizes, seguindo o mesmo conceito: eles constroem personagens do sexo oposto que sonham em personificar e teatralizam. Vou fazer uma instalação e um filme. Estamos no início, já tenho uma parte do projeto financiado pelo governo holandês.*

J&M – O que sente fotografando as pessoas? Compaixão, admiração?

DB – Dialogando. Eu tenho que ter interesse na pessoa fotografada, sentir que posso atravessar certas barreiras. Quero obter um diálogo revelador sobre as pessoas, baseado na confiança. Construí esse caminho ao longo da minha carreira. O respeito pelas pessoas da forma que elas se afirmam, com beleza, mas de um jeito sócio-político pois no final das contas se trata disso.

_DSC5738Ricco as Smart Object-1-nRicco © Diana Blok ; Alcione © Diana Blok  - “Eu te desafio a me amar”

J&M – As travestis encaram, criam um personagem…

DB – Sim, é a vida delas. Outro dia, conheci um homem vestido de mulher, muito exagerado, alto, bonitinho que disse: normalmente sou um menino, não me reconheceriam. Isso me fascina, alguém que pode se transformar, imitar mulher ou homem. Eu pessoalmente não faço isso, só para uma foto, mas me sinto fora das normas de gênero. Dentro de mim, sou andrógena. É uma atração pelo diferente.

J&M – Faz parte de sua expressão pessoal…

DB – Sim. Creio que meus pais queriam que eu fosse menino, não sei se é verdade, mas senti isso. Éramos quatro mulheres, eu tinha a função mais masculina dentro do universo feminino da casa, ajudava meu pai em tarefas consideradas masculinas, com carros, mas tambem gostava de cozinhar, me sentia fora das normas, dos padrões. E parte disso foi descobrir que havia outra maneira de ser, além da conhecida…

_DSC2116-agata-nÁgata © Diana Blok ; Tatiana © Diana Blok  - “Eu te desafio a me amar”

J&M – O que é normal?

DB – Isso não é muito relevante. É preciso buscar o que é original, a expressão da diversidade de cada um. Cada pessoa é diferente. Na mídia, as louras são populares, enquanto as negras são “feias”, os países ricos são “bons”, etc. Na realidade, o que aprendemos a admirar é abominável! Os espanhóis, os holandeses guerrearam, mataram, invadiram, colonizaram, exploraram e são os heróis. Temos um jeito vertical de olhar a história.

J&M – Na exposição “Eu te desafio a me amar” as imagens fortes, passam certa tristeza, melancolia.

DB – É assim, há sempre a solidão do se sentir diferente. Em 2009, há cinco anos, eu estava em uma reunião da minha  escola secundária, 40 anos depois, na Guatemala; revi muita  gente, foi ótimo. Um amigo da época, me olhou e disse: Tu que eras tán linda porque no te casaste? Cabrón! Que mundo tão pequeno que ao mesmo tempo te confronta, que mundo…! Estou feliz com minha vida mas isso foi um confronto. Não tenho desejo de ser travesti ou transexual,  mas os acho  incrivelmente corajosos.

_DSC4377Camila con Espeljo-nCamila / espelho © Diana Blok - “Eu te desafio a me amar”

J&M – Como foi o impacto da exposição no Museu Nacional de Brasília?

DB – A abertura foi incrível, compareceram pessoas de várias embaixadas, diplomatas, travestis, negros, o pessoal da favela, nunca se viu tanta gente diferente assim reunida. Saíram do armário! Tiveram a coragem de frequentar um museu. Todos os dias havia muitos visitantes, muita gente, policiais, defensores dos direitos humanos. Depois fiz uma versão menor da exposição na favela da Maré, no Rio de Janeiro, com oficina, exercícios, muitos choraram… Foi emocionante! E houve a mostra na Anistia Internacional em um debate fechado. A Anistia no Rio não tem possibilidade de abrir portas ao público, é perigoso, por defenderem muitas coisas.

J&M – Houve um efeito catártico a partir das fotos?

DB – Acho que sim, várias pessoas me escreveram. No Facebook, tem a página “Eu te desafio a me amar” onde muitos falam que querem continuar o projeto. Em Brasilia, na Maré, o público foi limitado, deveríamos mostrar isso em tamanho grande, no Rio, em São Paulo, Belo Horizonte, Manaus, em toda parte.  Fazer o projeto crescer a partir de mostras em várias cidades.

22 Diana BlokDulcina de Moraes (Francis Wikler) © Diana Blok ; Maria Antonieta (Enrique Diaz) © Diana Blok – “Adventures in Cross-Casting”

J&M – O que você não gosta de fotografar?

DB – Gosto de fotografar pessoas… não há nada de que não goste,  apenas não gosto de violência, não sou repórter. Gosto da natureza, mas me sinto muito pequena perante ela e sua beleza.

J&M – Considera-se uma ativista visual?

Não sei, creio que meu trabalho é mais político, de reconhecimento da diversidade em toda a minha trajetória; também tem um sentido de crítica à nossa sociedade e uma busca do que está por trás do que aparenta ser. “Nothing is what it seems” (nada é o que aparenta).

16.FernandoPessoa,IaraPietricovskyFernando Pessoa (Iara Pietricovski) © Diana Blok ; Luz Del Fuego ( Mateus Nachtergaele) © Diana Blok – “Adventures in Cross-Casting”

J&M – A gente só é livre quando consegue passar por cima dos preconceitos?

DB – Ah, acho que ajuda, sim. Ter a coragem de mudar… O mundo da diversidade que existe no planeta é tão grande… Temos que nos dar conta de que todos, o pobre, o mendigo, as prostitutas, os transexuais, os gays, os milionários, eu, você, estamos todos conectados. Não nos damos conta de que não perceber isso causa muito sofrimento.

J&M – Isso chega a atingir algumas pessoas…

DB – Ainda bem! Hoje, um senhor atrás de mim na fila do supermercado, estava me apressando. Minha primeira sensação foi de irritação, mas quando olhei para ele, vi um velhinho meio aflito com suas comprinhas, só isso; aí eu sorri para ele e ele sorriu de volta.

21Andy Warhol (Barbara Paz) © Diana Blok ; Netuno (Camila Pitanga) © Diana Blok – “Adventures in Cross-Casting”

J&M – O importante é…

DB – Estar consciente de si própria e ter a percepção do outro. Vivemos em mundos bastante fechados. Por outro lado, tenho amigos casados que passam a semana separados e passam juntos o fim-de-semana, encontraram uma forma linda de amar. Não há padrão como aqueles em que fomos criados, o padrão fecha e cria muitos rótulos.

J&M – A força do seu trabalho está em…

DB – Resumindo e concluindo, creio que a força do meu trabalho está na percepção. É um espelho. Eu aceito meu próprio espelho embora nem sempre goste do que vejo, mas encontro algo que existe em todas as pessoas, isto é, a beleza interior.

 

19.xFridaKahlo,AlamoFacoFrida Khalo (Alamo Faco) © Diana Blok ;  Iemanjá (Michel Melhamed) © Diana Blok – “Adventures in Cross-Casting”

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* O projeto Monólogos de Gênero, desenvolvido em filme e instalação com 6 atores, será mostrado pela primeira vez no OI FUTURO – Rio de Janeiro, pelo Festival Internacional TEMPO, com o suporte do fundo holandês THE ART OF IMPACT. A artista iniciou uma campanha de crowdfunding ( https://www.voordekunst.nl/projecten/4750-gender-monologues ), com a qual espera levantar fundos para dar continuidade ao projeto nos Centros Culturais Banco do Brasil – CCBB – de Brasília e de Belo Horizonte.

Para contribuir:  https://www.voordekunst.nl/projecten/4750-gender-monologues 

Mais sobre a artista:  http://www.dianablok.com

Mais sobre as entrevistadoras:

http://quemvaiaovento.blogspot.nl

http://www.margodalla.com