ALVARO VILELA “Em Busca da Distante Ancestralidade” MAB – Museu de Arte da Bahia

Posted by on Nov 26, 2015 in ARTISTAS, CULTURA, EVENTOS, EXPOSIÇÕES, FOTOGRAFIA, RETRATO | No Comments

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“FACES” 

A exposição Faces, do fotógrafo Álvaro Vilela, integra as comemorações do mês da Consciência Negra – ou Novembro Negro – no MAB, Museu de Arte da Bahia, no Corredor da Vitória, em Salvador, e fica em cartaz até 30 de novembro.

O trabalho é o resultado de anos de imersão do fotógrafo nas comunidades quilombolas de Barra e Bananal, formadas por descendentes de escravos que fugiram de um navio negreiro naufragado na costa sul da Bahia, no século 17. Depois de muito perambular pela região, assentaram-se às margens do rio Brumado, município de Rio de Contas, na Chapada Diamantina, onde vivem até hoje.

A mostra, que apresenta uma série de 15 retratos, se propõe a revelar as expressões dos moradores das duas comunidades ao tempo em que convida o visitante à uma viagem sensorial, capaz de transportá-lo ao mundo dos personagens retratados, através de uma instalação sonora que reproduz os sons-ambiente das comunidades alem de um vídeo informativo sobre o seu contexto. O objetivo do fotógrafo é gerar uma reflexão sobre a tradição e a luta do povo negro da Bahia, em um momento em que o país assiste à escalada da intolerância religiosa e racial.

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Segundo Álvaro Vilela, o projeto deseja resgatar “uma ancestralidade distante que vem se perdendo na fugacidade dos tempos atuais”. “Durante o trabalho, percebi o quanto a ancestralidade está diluída com outros maneirismos, costumes e crenças religiosas distintas”. Constatado tal distanciamento, ele se impôs o desafio de buscar imagens que revelassem a ligação das comunidades quilombolas com o seu passado, decidindo registrar-las através de uma série de retratos PB, para os quais usou um fundo preto, buscando um efeito que criasse a sensação de “desaparecimento”, aludindo assim, à distante ancestralidade.

O fotografo relata que, no começo, as pessoas resistiram à serem fotografadas mas, depois de confrontadas com o resultado, “a emoção falou mais forte”. “A tensão inicial deu lugar à risos e deliciosos comentários. Algumas pessoas se surpreenderam com a própria imagem, o que me leva a crer que não se olham ou não se vêem. Uma senhora de olhos claros disse que já tinha ouvido falar da cor dos seus olhos, mas não tinha certeza de como eles eram”.

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Faces – Alvaro Villela

Museu de Arte da Bahia (MAB) – Avenida 7 de Setembro (Corredor da Vitória) 2340.

De terça-feira a sexta-feira: Das 13 às 19H

Sábado, domingo e feriados: das 14 às 18h

Entrada gratuita

 

Maiores informações: 3117- 6902

Projeto apoiado pelo MAB e pela Secretaria da Igualdade Racial do Estado da Bahia.