DENISE CAMARGO “E o silêncio nagô calou em mim” Centro Cultural dos Correios

 

E O SILÊNCIO NAGÔ CALOU EM MIM 

Os instantes eternizados pela premiada fotógrafa e pesquisadora Denise Camargo nas imagens de “E o Silêncio Nagô Calou em Mim” alforriam as crenças e tradições africanas sufocadas no preconceito de uma nação que insiste em negar ou desconhecer traços indeléveis de suas próprias raízes.

As lentes de Denise focam a cultura afro-brasileira no espaço mítico-ritual do candomblé, revelando o processo de criação da artista no território sagrado dos ritos. “Parti da premissa de que o território sagrado das cerimônias de candomblé é um espaço de experiência, de imersão cultural, de contemplação e respeito ao acervo de saberes”, detalha ela, que recebeu o Prêmio Palmares em 2012, para publicação de sua tese e o Prêmio Brasil Fotografia – Bolsa para desenvolvimento de projeto, este ano.

O resultado do trabalho surpreendeu até a própria fotógrafa, que sempre pensou em tirar o tema do lugar comum. “Em geral, o que se fotografa são os rituais públicos, que são lindos. Mas a minha proposta é reflexo de uma convivência, um mergulho, uma permissão. Quis acrescentar algo àqueles que não conhecem o candomblé e lancei mão de uma luz singular para não tornar o registro fotográfico tão óbvio”, observa Denise.

Em cartaz no Centro Cultural Correios até 22 de fevereiro, “E o Silêncio Nagô…”  traz imagens acompanhadas de textos, trilha sonora composta especialmente para o projeto, vídeo e um ambiente interativo. A curadoria é de Diógenes Moura, escritor, editor, roteirista e curador de fotografia da Pinacoteca do Estado de São Paulo entre 1998 e maio de 2013. Segundo Moura, a exposição de Denise Camargo reforça o debate contemporâneo sobre a diversidade étnica e cultural do Brasil, ajudando a desconstruir visões  estereotipadas e percepções equivocadas dos terreiros, difundidas, entre outros fatores, pelo estigma brasileiro de não buscar entender suas próprias raízes. Nas palavras de Diógenes, ““E o Silêncio Nagô…” trata do silêncio profundo diante do desconhecido, do que poderá ir do ontem ao muito além, desse corpo índio e africano que temos obrigação em reconhecer, que somos nós, sem abortar Macunaíma”. Segundo Diógenes, a coletânea de imagens de Denise é a revelação das coisas que nos pertencem, à que temos direito, o que somos nós.

Silenciando a exclusão

“E o Silêncio Nagô…” chegou à Salvador depois de ficar em cartaz com sucesso em Brasília. Baseada na tese da artista “Imagética do candomblé, uma criação no espaço mítico-ritual”, a exposição coloca em circulação, de maneira inédita, ideias sobre um objeto artístico geralmente renegado à invisibilidade. Acessível aos deficientes visuais e ao público de todas as camadas sociais, alia tecnologia e arte em um só espaço. Além das imagens, da trilha sonora, de palestras da artista e de convidados, de oficina de formação para educadores, o projeto contempla sinalização podotátil que auxilia a visita de cegos, que recebem um aparelho com audiodescrição das imagens e de todo o ambiente, garantindo-lhes total autonomia durante o percurso expositivo. “Meu registro será imaginado por eles. Creio que será uma troca interessantíssima e enriquecedora para nós todos”, diz Denise.

Fabiane Beneti, da Empresa Livre, assina a produção-executiva do projeto, que é patrocinado pelos CORREIOS e realizado pelo Ministério da Cultura, por meio da Lei de Incentivo à Cultura do Governo Federal. “E o Silêncio Nagô…” fica no Centro Cultural dos Correios em Salvador – BA até 22 de fevereiro de 2014 quando, das 10h às 12h, a fotógrafa recebe a cantora Inaicyra Falcão dos Santos, pesquisadora das matrizes ancestrais africanas, e o artista plástico Ayrson Heráclito para uma Roda de Conversa sobre a exposição. O evento tem entrada gratuita e não é necessário fazer inscrição.

_______________

 Sobre a Exposição: 

Exposição – E o silêncio nagô calou em mim

Data: até 22 de fevereiro de 2014

Horário: segunda à sexta-feira, das 10h às 18h e sábados das 8h às 12h

Informações e agendamento de visitas para grupos: oju.cultural@gmail.com

Entrada: gratuita

________________

Sobre a Oficina:

Processos do Silêncio: oficina gratuita, com abordagem dialógica e criativa, oferecida pela fotógrafa Denise Camargo. É uma atividade do programa de mediação cultural para a exposição E o silêncio nagô calou em mim.

Proposta: discutir aspectos teórico/práticos da produção de imagens no universo religioso afro-brasileiro, e as possibilidades artísticas e sociais da imagem na valorização da cultura negra. Fazem parte do programa: análise de imagem; os processos de criação; a construção de visualidades no complexo sistema de crenças; sistematização das discussões e inventário de ideias para a multiplicação dos conteúdos desenvolvidos durante a oficina. Uma roda de conversa com os artistas Inaicyra Falcão dos Santos e Ayrson Heráclito encerra os encontros.

Público: especialmente educadores e professores da rede pública de ensino; mediadores culturais; fotógrafos e artistas com interesse na temática; estudantes dos últimos anos da graduação e pesquisadores com pesquisas e trabalhos referentes aos temas abordados; membros das comunidades de terreiros.

 

Pré-requisitos: o participante deve se comprometer a multiplicar o conhecimento obtido durante a oficina em suas instituições, comunidades, núcleos artísticos, escolas, universidades, etc, para ampliar o alcance do projeto.

Certificado: haverá certificado para os participantes que obtiverem 100% de frequência.

Quando: 19 a 22 de fevereiro

Horários:

dia 19 (quarta-feira): das 14h30 às 18h

dias 20 e 21 (quinta e sexta-feira): das 9h às 12h e das 14h às 18h

dia 22 (sábado): das 10h às 12h

Onde: Centro Cultural Correios

Endereço: Travessa Cruzeiro de São Francisco, nº 20 – Pelourinho, esquina com a antiga Rua Inácio Acioli, Salvador – BA

Mais informações: oju.cultural@gmail.com

Inscrições: Acesse e preencha o formulário de inscrição no seguinte link: http://goo.gl/T9ypYJ.

Processo de seleção: Todos os formulários serão avaliados até 14/02 pela equipe do projeto. O número de vagas é limitado. A seleção visa, exclusivamente, compor um grupo que atenda aos objetivos da oficina e às expectativas de cada participante, observadas no formulário. Todos os selecionados receberão mensagem da equipe do projeto, e deverão confirmar a participação. Caso seja selecionado e não tenha disponibilidade, sua vaga será destinada ao próximo selecionado. A lista final de selecionados será divulgada no site www.oju.net.br, no dia 16/02 após as 18h.

__________________________________

Denise Camargo

Fotógrafa e pesquisadora, doutora em Artes (Unicamp), mestre em Ciências da Comunicação (ECA-USP), graduada em Jornalismo (ECA-USP). O currículo de Denise contempla as exposições fotográficas Antologia da fotografia africana (Pinacoteca do Estado, São Paulo – SP, em 1998), e São os filhos do deserto onde aterra desposa a luz (Espaço Porto Seguro de Fotografia, São Paulo – SP, 1999). Em 2005 foi convidada pelo Consulado Americano para integrar o projeto Herança Compartilhada, ensaio fotográfico feito nas cidades de Nova York e Nova Orleans, sobre as influências da cultura africana nos Estados Unidos (trabalho exposto em maio/2005); Em 2006, realizou o projeto curatorial e a coordenação geral da exposição Quilombolas, Tradições e Cultura da Resistência (fotografias de André Cypriano), e foi responsável pela edição do livro homônimo. Denise também foi contemplada com Prêmio Nacional de Expressões Culturais Afro-brasileiras (2010 e 2011) e com o Programa Cultura e Pensamento (2007 e 2010). Os mais recentes prêmios de reconhecimento pelo seu trabalho vieram da Fundação Cultural Palmares (Prêmio Palmares 2012, para publicação da tese de doutorado Imagética do Candombléuma criação no espaço mítico-ritual, cujas notas visuais geraram a exposição E o silêncio…) e o Prêmio Brasil Fotografia 2013, para o desenvolvimento da série Memórias da espuma rosa. Os temas a que recorre artisticamente exploram questões da identidade cultural brasileira, imagem na cultura afro-brasileira, processos de criação, cujo objetivo é a difusão da imagem fotográfica, por meio de projetos socioculturais.

 

Diógenes Moura

Escritor, editor e curador de fotografia independente, entre 1998 e maio de 2013 foi curador de Fotografia da Pinacoteca do Estado de São Paulo onde realizou exposições, reflexões sobre o pensamento fotográfico e possibilitou o reconhecimento do acervo do Museu como um dos mais importantes da América Latina, hoje com cerca de 700 imagens de fotógrafos brasileiros. Em 2013, realizou a curadoria/edição das mostra Busca-me, de Boris Kossoy (Galeria Berenice Arvani) e A Construção de um Olhar – Fotografia Brasileira no Acervo da Pinacoteca do Estado de São Paulo, no Centro León Jimenes, na República Dominicana. Diógenes também publicou o livro São Paulo de Todas as Sombras, edição que reúne fotografias (Lucia Guanaes/Marc Dumas) e contos/polaroides urbanas de sua autoria. Em julho de 2013 realizou a mostra e o livro homônimo Butterflies and Zebras, de Mario Cravo Neto, na Estação Pinacoteca, em São Paulo. Foi eleito o Melhor Curador de Fotografia do Brasil pelo Sixpix/Fotosite, em 2009. No ano seguinte recebeu o prêmio APCA – Associação Paulista dos Críticos de Arte de melhor livro de contos/crônicas com Ficção Interrompida – Uma Caixa de Curtas (Ateliê Editorial). Com o mesmo título foi finalista do Premio Jabuti de Literatura 2011. Em 2012 foi curador de mostras importantes como Andy Warhol – Superfície (Museu da Imagem e do Som São Paulo), Interior Profundo – Mestre Júlio Santos (Pinacoteca do Estado de São Paulo) e Dos Filhos desse Solo? exposição que representou o Brasil no PHOTOIMAGEM 2012 e que recebeu o grande Prêmio da Crítica pela Associación Dominicana de Críticos de Arte, INC/2013.

www.silencionago.oju.net.br