“Rio Itapicuru: Águas que vêm e que passam…” ANE LANTYER ALVES Arquivo Pessoal

Posted by on Sep 30, 2013 in FOTOGRAFIA, INTERIOR, MEMÓRIA | No Comments

Muitos dos meus familiares passearam pelas margens e molharam seus pés nas águas do Itapicuru, o rio que passa atrás do Chalé, casa histórica, centenária, cheia de significados para a cidade de Queimadas e para nossa família. Assim como as águas que vêm e passam, muitos de nós também passaram por lá e seguiram em frente … Meus pais , meus tios, meus primos e eu voltamos muitas vezes ao mesmo rio, mas a cada visita e a cada tempo, éramos um pouco diferentes  … O rio também ia sofrendo metamorfoses, suas águas se tornando menos caudalosas e menos limpas…

As lembranças do passado vivem desde sempre em nossos corações mas, revendo nossas fotografias de família, compreendemos que uma das mais nobres funções da imagem fotográfica é capturar e trazer para o mundo real – objeto, papel e cor – aquelas lembranças carregadas de emoções que, tão ternamente, guardamos em nossas memórias. É nessas fotos de família – resgatadas de um álbum, de um baú ou de uma simples caixa de papelão – que se descortina a história das nossas vidas, viajando para um tempo antes do nosso, onde os nossos antepassados viveram. Assim revisitamos também os nossos próprios momentos especiais, o nosso próprio tempo. Uma imagem, capturada no papel (ou, hoje em dia, em pixel digital), tem o poder mágico de nos transformar em viajantes de um túnel do tempo, nos oferecendo a oportunidade única de compartilhar com nossos ancestrais e de experimentar as sensações de reconhecimento e de pertencimento ao nosso grupo, testemunhando hábitos específicos de nossa gente que tambem são nossos, nos oferecendo uma percepção eloquente da transitoriedade do ser humano.

As fotos mostram a paisagem e nós, ao longo do rio, em épocas diferentes. São fotos tiradas pelos membros da família, a maioria pelo meu querido pai Aldemir (anos 60, 70 e 80) e uma delas, a do juazeiro incrustado na pedra (anos 80), por tio Antônio, ambos hoje octogenários, uma vida de laços fraternais fortes. Há uma foto onde estamos, 6 primos, sentados em uma pedra, Neydinha, José Leopoldo, Aldemir, Ivan e eu, todos nós agora quarentões e cinquentões, separados por distâncias geográficas consideráveis mas ainda unidos por vínculos afetivos de pessoas que  compartilham parte de uma mesma história. As demais fotografias retratam adolescentes curtindo férias escolares e os primeiros amores, nas quais eu apareço com Carlos, hoje meu marido, Abelmir, meu irmão, Marina sua ex-esposa e meus primos Eudalbo e Ivan (anos 80). Há ainda duas fotografias retratando apenas o rio, uma em preto-e-branco, mostrando a antiga ponte inglesa, em época de enchente, e a outra, ao contrário, é colorida, e mostra o Itapicuru em época de seca.

Ane Lantyer Alves é professora de Inglês aposentada.

 

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