“A fotografia é um exercício estético que auxilia na construção do nosso afeto” POLLUX FREIRE & MARCUS COSTA Arquivo Pessoal

Posted by on May 22, 2013 in CAMERA-FONES, FOTOGRAFIA, INTERIOR, MEMÓRIA, VIAGENS | No Comments

 

Por Neyde Lantyer

 

Cânions a perder de vista, cavernas extremamente complexas penetrando nas entranhas do solo, rios abundantes e cristalinos, lagos azuis, flores, rochas, lagoas subterrâneas e um sem número de despenhadeiros vertiginosos compõem a exuberante e incrivelmente fotogênica paisagem da Chapada Diamantina, na Bahia. No meio da paisagem, a presença dos dois rapazes e sua história de amor. “As coisas só serão vistas como normais quando se tornarem corriqueiras aos olhos da sociedade. Amor não é motivo de vergonha”, explicam Pollux e Marcus sobre a razão pela qual nos autorizaram a tornar pública a sua série de fotos da viagem. Em um tempo de “(in)Felicianos” e “curas para gays”, eles consideram que a melhor forma de contribuir para com a própria causa, ou seja, a luta contra a homofobia e a discriminação, é se mostrar e mostrar o seu amor.

“Não possuímos nenhum vínculo com a fotografia, não entendemos muito sobre o assunto, mas é certo de que quando se tem um conjunto de fotos bem tiradas, as lembranças acabam parecendo sonhos. Para nós, tirar fotos é um exercício estético que colabora na construção do nosso afeto”. “Mas o que eu gosto mesmo é de entender as reações químicas que se passam dentro de uma panela e o impacto delas na nossa qualidade de vida”, afirma Pollux, que estuda Gastrologia e está se especializando em Bioquímica e Gastronomia Molecular. Marcus é graduado em Letras, cursa cinema de animação e deseja se tornar desenhista “para criar pequenos universos animados”.

As paisagens da Chapada e seus recantos secretos são inspirações clássicas para todos os tipos de românticos, místicos e aventureiros e a fotografia, como sabemos, é uma clássica companheira de viagens, aventuras, novas descobertas e… histórias de amor. “Como amador, busco sempre a melhor luz e os melhores recursos. Não gosto de fotos que não registram a emoção do momento, creio que a foto tem que transmitir algo mais”, declara Pollux. A série é pura e romântica, misturando narcisismo e um certa estética “fashion” ao desejo de guardar para sempre os momentos vividos, o “algo mais”, como Pollux nomeia o momento em sua singularidade, a intimidade e o carinho dos dois, capturados em meio à exuberância das locações.

Perguntados se acham possível fotografar o amor, eles respondem: “a fotografia é um dos meios mais completos para ilustrar emoções. O nosso sistema límbico (responsável por emoções e comportamentos sociais) nos possibilita relacionar situações atuais à experiências passadas similares, então se uma foto me remete ao sentimento de amor, eu creio que sim, é possível fotografar o amor, concorda?”. Utilizando-se de dispositivos cada vez mais simples, como as câmera-fones, os novos registros fotográficos sejam de histórias de amor, de viagens, festas ou de eventos cotidianos, são representativos de uma cultura jovem e sua maneira de exercitar a fotografia no nosso mundo, construindo, dessa forma, a memória dessa geração.